21 de julho de 2011

Descompasso

Debruçava-me sobre a cadeira, como se fosse passar. Fechava os olhos como se fosse durar. Dormia com o pensamento que no dia seguinte tudo iria mudar, como se fosse servir. Respirava numa rapidez, como se fosse adiantar. Alimentava-me com um copo d’água. Tomava um café. Sentava. Esperava o tempo passar, sem contar que estava sempre com uma ampulheta na mão. Via aquelas areias descerem, grão por grão. Cada segundo era um arrepio, cada minuto aumentava mais a ansiedade, doía mais o coração, a cabeça, a mente. Cada hora era uma morte. Morte da esperança, morte renunciada, morte sentida, morte definitiva.